segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tudo nos cansa


Ás vezes não vale a pena continuar. As palavras gastam-se pelo tempo, ficam as juras de um tempo passado num momento já ultrapassado pela vida. As pessoas cansam-se de lutar, iludem-se por contos de fadas que são contados na orelha, quando ainda somos crianças, por canções cantadas enquanto nos embalam em braços firmes.
Somos domesticados e protegidos por mãos longas e fortes, por faces enrugadas, de uma vida cheia de tarefas. Lançam-nos à vida, prontos a saborear cada aroma. Desde cedo começamos a criar um jardim de palavras, de juras de amores eternos, de amizades que são sempre superiores à plenitude do mundo, dos sorrisos que se assumem capazes de nunca desaparecer. Tratam de nos oferecer tudo numa bandeja, as próprias sementes que lançamos à terra, as próprias pás para não colocarmos as mãos na preta terra, que nos enruga os pés. E por isso, cansamo-nos. Temos tudo. Tudo pré-fabricado, cartas de amor, conselhos de vivências e obrigações. Alguém vive acima de nós e deixa-nos as sugestões, as regras e as obrigações que temos que cumprir para ser aceite. Agora, tudo nos cansa. Porque a verdade é que ainda nada nos pertence.

A

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